quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Conto Zen: As Flores e o Prato de Arroz

..., a morte é vista e ou reverenciada de maneira diferente em toda parte do mundo. ..., há tanto lamentação quanto regozijo. ..., a data (1 de novembro) é controversa. ..., mas, que pessoa viva e saudosa de um ente querido se preocupa com detalhes de calendário religioso e ou “profano”? As Flores e o Prato de Arroz é um belo texto com viés e dilema zen e a cada dia mais pertinente neste planeta abarrotado de “gente” intolerante. ..., esta versão (de autoria anônima?), tão propícia para hoje quanto para os demais dias do ano, contém leve variação narrativa (não de conteúdo) na internet.



As Flores e o Prato de Arroz

Um homem ocidental colocava flores no túmulo de um familiar quando observou que, no túmulo ao lado, após uma saudação silenciosa, um homem asiático depositou um prato de arroz sobre a lápide. Mal disfarçando um sorrisinho maroto, ironizou:
- Me desculpe se pareço inconveniente, mas o senhor acha mesmo que o falecido vai sair da tumba pra comer este arroz?
Ao quê, sem a menor perturbação no semblante, o asiático lhe respondeu:
- Sim, quando o seu defunto vier cheirar as suas flores.

*
ilustração: Cemitério Ucraniano em Antonio Olinto-PR
foto de joba tridente.2014


Joba Tridente, artesão de palavras e imagens em Verso: 25 Poemas Experimentais (1999); Quase Hai-Kai (1997, 1998 e 2004); em Antologias: Hiperconexões: Realidade Expandida – Sangue e Titânio (2017); Hiperconexões: Realidade Expandida (2015); 101 Poetas Paranaenses (2014); Ipê Amarelo, 26 Haicais; Ce que je vois de ma fenêtre - O que eu vejo da minha janela (2014); Ebulição da Escrivatura - 13 Poetas Impossíveis (1978); em Prosa: Fragmentos da História Antropofágica e Estapafúrdia de Um Índio Polaco da Tribo dos Stankienambás (2000); Cidades Minguantes (2001); O Vazio no Olho do Dragão (2001). Contos, poemas e artigos culturais publicados em diversos veículos de comunicação: Correio Braziliense, Jornal Nicolau, Gazeta do Povo, Revista Planeta, entre outros.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Joba Tridente: é nóis na sela - anexins de açougue

..., do raiar do dia ao cair da noite dos últimos anos o Brasil claudica com uma crise sociopolítica e econômica sem precedentes na sua história. ..., com a baixa credibilidade dos poderes constituídos, não há túnel que chegue ao fim e muito menos luz que ilumine o caminho da saída. ..., ao serviço de costura política e gastura governamental servidos pelas mídias, não há antiácido que dê jeito.  ..., recentemente, os biliardários “irmãos friboi” protagonizaram o padrasto de todos os escândalos envolvendo “autoridades” e saindo ilesos. ..., ou quase! ..., assim que a boiada “passou” e a poeira baixou o prêmio da delação foi retirado e a dupla (Joesley e Wesley) Batista foi parar na cadeia. ..., no afã da notícia, um antigo jornal até se engasgou, trocando a palavra “cela” (de prisão) por “sela” (de cavalo).

..., como meu desespero literário varia com a ironia poética, decidi proverbiar com os fatos em ebulição e criei sete máximas totalmente sem compromisso (ou quase): é nóis na sela – anexins de açougue (2017). ..., o título é uma “brincadeira” com dois erros gramaticais: “sela” (do jornal) e “nóis num vai ser preso” (discordância verbal nos diálogos matutos de Joesley).  

                 
é nóis na sela - anexins de açougue
de Joba Tridente

I - língua
brother freeboy:
- nóis foi preso porque nóis não sabe conjugar verbo?
federal:
- não..., porque sabem conjugar verba!

II - peito
cascos ruminando:
- riqueza e esperteza nem sempre
caminham juntas...

pé de boi direito:
- ou se tem berço d’ouro
anda nas nuvens
nina com “brilha, brilha estrelinha”
em lençóis finos e travesseiro de penas de ganso...

pé de boi esquerdo:
- ou se tem cama de palha
pisa na bosta de vaca
dorme com “boi da cara preta”
em lençóis de chita e travesseiro de paina...

pé de boi direito:
- quem pode se ajeita sob o mosquiteiro.

pé de boi esquerdo:
- quem não pode abana as varejeiras.

III - rabo
mosca da carne:
 - quando não se herda
a riqueza que vem certa por caminhos tortos
ou que vem torta por caminhos incertos
o sortudo esperta a grana,
afofa a grama e toma conta do curral.
na questão do dinheiro
quanto mais se sonha grande,
mais se conhece boiadeiro
mais se tem companheiro
que a(ssa)ssinam tudo por uma rima
pois parelha
é de político, bandido ou eleitor.

IV - lombo
músculo:
 - Maquiavel não é para iniciantes
e maquiavelices já não
se embrulham com jornal de ontem.
ao maquiavelhaco
a ignorância econômica
move cifras no tabuleiro sobre o banco.
o que a mesa determina
é o mesmo chiclete velho sob o tampão
que de boca em boca pode perder o sabor
mas continua elástico...,
toda via de valor
porém, a goma
uma hora arrebenta.

V - estômago
tripa:
- não importa se a grana veio da corte
ou se a grama veio do corte
em mão ligeiras e boca mansa
o tutu traçará outro erário...,
a carne só é fraca
se posta a mesa
o corpo é todo gula.

VI - olhos
orelha esquerda:
- o falastrão açougueiro
morre pela boca ou pelo verbo.
o açougueiro professor
que não conjuga mais é co-julgado menos.

orelha direita:
- falhas de grave ação: o up! virou ôpa!
na cartilha digital
do pobre menino rico
que recorreu ao rosário
e mediu terço à Aparecida Padroeira
e mediu terço ao Raimundo Nonato dos Mulundus
e mediu terço ao freguês oculto
pra socorrer o aflito
nessa hora de grades
e de iminente perigo.
a fé amolada cega qualquer faca.
é de dar nó nas intrigas!

orelha esquerda:
tanto arroubo
tanta carne fedida
tanto sangue de barata
chega dar dó das tripas.

VII - cupim
brother freeboy I:
- nóis robamo mas nóis entregô
quem nóis pagô...,
e quem nóis encheu as burra lá deles
catapultô nóis da sela pra cela.

brother freeboy II:
- nóis é muito burro mesmo
querendo ensiná fazê mortadela e coxinha
pros professor de cozinha.

brother freeboy I:
- que país é esse que não respeita
os empresário que de mamada
em mamata se deu bem nas parada?

rato pretérito:
- é como diz aquele carrapacto de sangue
saltando de califa em califa:
de friboi a freeboy a cowboy a boi de aparate
aquele que desdenha a origem, dorme na fuligem !

..., foto.de.joba.tridente.2017


Joba Tridente, artesão de palavras e imagens em Verso: 25 Poemas Experimentais (1999); Quase Hai-Kai (1997, 1998 e 2004); em Antologias: Hiperconexões: Realidade Expandida – Sangue e Titânio (2017); Hiperconexões: Realidade Expandida (2015); 101 Poetas Paranaenses (2014); Ipê Amarelo, 26 Haicais; Ce que je vois de ma fenêtre - O que eu vejo da minha janela (2014); Ebulição da Escrivatura - 13 Poetas Impossíveis (1978); em Prosa: Fragmentos da História Antropofágica e Estapafúrdia de Um Índio Polaco da Tribo dos Stankienambás (2000); Cidades Minguantes (2001); O Vazio no Olho do Dragão (2001). Contos, poemas e artigos culturais publicados em diversos veículos de comunicação: Correio Braziliense, Jornal Nicolau, Gazeta do Povo, Revista Planeta, entre outros.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Joba Tridente: Marginal Porque Se Não Nada É Bandido

É 7 de setembro, outra vez. No Brasil comemora-se o Dia da Independência em meio a uma crise política sem precedentes. Marginal Porque Se Não Nada É Bandido é um poema (já desesperado) escrito em 27.04.2010. É um poema atemporal que você pode ler do jeito que bem quiser e bem entender: vermelho e preto; vermelho ou preto, de cima para baixo ou de baixo para cima ou saltitando..., porque Bandido é Bandido em qualquer direção e ou situação! 



Marginal Porque Se Não Nada É Bandido
Joba Tridente.2010


MARGINAL

bandido
é sempre
civil ou não
é sempre
oficial ou não
é sempre
político ou não
é sempre
presidente ou não
é sempre
rei ou não
é sempre
bandido

PORQUE

bandido é
sempre bandido
civil ou não é
sempre bandido
oficial ou não é
sempre bandido
político ou não é
sempre bandido
presidente ou não é
sempre bandido
rei ou não é
sempre bandido
é bandido

SE NÃO

bandido é
sempre bandido
civil ou não é
sempre bandido
oficial ou não é
sempre bandido
político ou não é
sempre bandido
presidente ou não é
sempre bandido
rei ou não é
sempre bandido
é bandido

NADA É

bandido
é sempre bandido
civil ou não
é sempre bandido
oficial ou não
é sempre bandido
político ou não
é sempre bandido
presidente ou não
é sempre bandido
rei ou não
é sempre bandido
bandido

BANDIDO


*
ilustração de Joba Tridente.2010

  
Joba Tridente, artesão de palavras e imagens em Verso: 25 Poemas Experimentais (1999); Quase Hai-Kai (1997, 1998 e 2004); em Antologias: Hiperconexões: Realidade Expandida – Sangue e Titânio (2017); Hiperconexões: Realidade Expandida (2015); 101 Poetas Paranaenses (2014); Ipê Amarelo, 26 Haicais; Ce que je vois de ma fenêtre - O que eu vejo da minha janela (2014); Ebulição da Escrivatura - 13 Poetas Impossíveis (1978); em Prosa: Fragmentos da História Antropofágica e Estapafúrdia de Um Índio Polaco da Tribo dos Stankienambás (2000); Cidades Minguantes (2001); O Vazio no Olho do Dragão (2001). Contos, poemas e artigos culturais publicados em diversos veículos de comunicação: Correio Braziliense, Jornal Nicolau, Gazeta do Povo, Revista Planeta, entre outros.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Joba Tridente: auto.ri.dade

..., aturdido sigo eu também tentando decifrar a Esphinge Ignóbil que se assentou no país com seu séquito desvairado e cuja fome capital a faz devorar nossa ordem. ..., dormir e acordar com o mesmo palavreado chantagista é pesadelo sem fim. ..., regurgito minha catarse a cada insanidade sociopolítica e judicial que me estapeia. ..., nem sempre é fácil desembaraçar as palavras. ..., com auto.ri.dade, a primeira letra foi colocada em 29.06.2017 e a última em 15.08.2017.


                 
auto.ri.da.de
joba.tridente

você é alto e móvel
mas não é automóvel
por tanto que fez feder
enfia a chave
no teu orifício de particularidades
igniza-te e dê
marcha a ré
: marcha réu
desta garagem
insólita e sombria

: emburra
com a barrica
de cifras e regalias

: empurra
com a barriga
de impropérios
tua gene podre
pra gruta que te pariu

: chafurda
tua militância pateta
de curral em curral
..., enquanto a comédia não finda

: compartilha
a lavagem em cada instância
de barganha política
..., enquanto a tragédia não finda

: troça caro o arrego
na honra que jamais terá
..., no palco em que a retórica não para
        de girar

na hora do arrimo
o ponto gritará:
- teu nome vão
é o que te presta
importância?

na hora do arrocho
o coro gritará:
- teu nome vão
é o que te funesta!

na hora do arrimo
o ponto gritará:
- teu nome vão
é o que te empresta
importância?

na hora do arrocho
o coro gritará:
- teu sobrenome
é o que te trai
no mourão genealógico
da família que te apadrinha!

........................
: ver-te víbora,
    verter mentiras fendidas
    na infinitude da providencial cegueira
                                        do não sssssssssei

: ver-te verme,
    vermicular proselitismo
    na gastura de vomitivas farsas

neste brasil que rola feito barril
se tudo é burro  
     no teu cinismo prolixo
se tudo é carga   
     na tua cobiça maçante
     ..., só acendendo o pavio!

*
foto de joba tridente.2016



Joba Tridente, artesão de palavras e imagens em Verso: 25 Poemas Experimentais (1999); Quase Hai-Kai (1997, 1998 e 2004); em Antologias: Hiperconexões: Realidade Expandida – Sangue e Titânio (2017); Hiperconexões: Realidade Expandida (2015); 101 Poetas Paranaenses (2014); Ipê Amarelo, 26 Haicais; Ce que je vois de ma fenêtre - O que eu vejo da minha janela (2014); Ebulição da Escrivatura - 13 Poetas Impossíveis (1978); em Prosa: Fragmentos da História Antropofágica e Estapafúrdia de Um Índio Polaco da Tribo dos Stankienambás (2000); Cidades Minguantes (2001); O Vazio no Olho do Dragão (2001). Contos, poemas e artigos culturais publicados em diversos veículos de comunicação: Correio Braziliense, Jornal Nicolau, Gazeta do Povo, Revista Planeta, entre outros.

domingo, 13 de agosto de 2017

Joba Tridente - : da válvula ...

Neste ano de 2017 foram lançados mais dois volumes da antologia de poemas sobre o pós-humano da literatura brasileira: Hiperconexões: realidade expandida - Sangue & Titânio e Carbono & Silício, com organização do escritor Luiz Bras. Eu, que já estive no vol. 2, com três Orações de Um Cotidiano, agora participo com o poema : da válvula..., que estou republicando com a formatação final impressa. Os dois volumes de Hiperconexões: realidade expandida, reunindo 96 autores, foram editados pela Editora Patuá*.


Sangue & Titânio
apresentação de Luiz Bras

Duzentos anos atrás não existia o telefone a fotografia o rádio o cinema a tevê. Hoje brincamos de construir realidades virtuais. Daqui a duzentos anos o que haverá? Duzentos anos atrás não havia a anestesia geral a lâmpada o elevador elétrico o automóvel o avião o foguete o satélite a estação orbital. Hoje fazemos planos para colonizar Marte. Daqui a duzentos anos o que haverá? Duzentos anos atrás não sabíamos da existência dos micróbios. Não existia o antibiótico o transplante de órgãos. Não sabíamos da existência de outras galáxias e a pequena. Via Láctea era todo o universo Hoje observamos o infinito e aceleramos partículas pra saber de que é feito o universo. Daqui a duzentos anos o que haverá? O início do amanhã é agora. O futuro já começou e os poemas aqui reunidos tratam das maravilhas e tragédias que estão nos envolvendo nos abraçando cada vez mais forte. Poemas que podem ser lidos como se fossem um só. Uma odisseia coletiva.



       

: da válvula ...
joba tridente

... quando desatarraxaram a válvula
                        que prendia o coração
ouvi cair quicando longe a ruela e o parafuso de titânio
                       e logo o baque seco dos parafusos e ruelas 
e partes do corpo em liga de aço
                                        e diamante se amontoando atrás
                        e como se bailarino do ar
o cérebro talhado em prata com neurônios fiados em ouro
pousou leve
sobre        os         restos         de         tudo          que         fora
                                            e abrindo feito caixinha de música
                                            oriental
       deixou escapar a alma fugaz
                         das minhas parcas
                                                                            m.e.m.ó.r.i.a.s ...

                                                                 curitiba.19.10.2016.22h51


*
ilustração de Joba Tridente


* Você pode encontrar os três volumes de Hiperconexões - Realidade Expandida no site da Editora Pautá. O primeiro volume foi lançado no verão de 2013, reúne 30 poetas e pode ser lido também on-line: Hiperconexões: Realidade Expandida- I. Mais informações sobre as Hiperconexões.

Joba Tridente, artesão de palavras e imagens em Verso: 25 Poemas Experimentais (1999); Quase Hai-Kai (1997, 1998 e 2004); em Antologias: Hiperconexões: Realidade Expandida – Sangue e Titânio (2017); Hiperconexões: Realidade Expandida (2015); 101 Poetas Paranaenses (2014); Ipê Amarelo, 26 Haicais; Ce que je vois de ma fenêtre - O que eu vejo da minha janela (2014); Ebulição da Escrivatura - 13 Poetas Impossíveis (1978); em Prosa: Fragmentos da História Antropofágica e Estapafúrdia de Um Índio Polaco da Tribo dos Stankienambás (2000); Cidades Minguantes (2001); O Vazio no Olho do Dragão (2001). Contos, poemas e artigos culturais publicados em diversos veículos de comunicação: Correio Braziliense, Jornal Nicolau, Gazeta do Povo, Revista Planeta, entre outros.

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