quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Joba Tridente: Pardal



Pardal

Pardal madrugador
ao ruído da janela
parte flecha

...e volta com dois

a bolacha esfarelada
integral ou gergelim
vão bicando

...assim assim assim

limpam o telhado
somem entre os prédios
a jato

ainda não é tempo de aleluia

               
          Poema e Ilustração de Joba Tridente: 31.01.2013


sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Joba Tridente: Histórias de Sabiás - 2



o sabiá e os farelos

I
o pardal sabia
que o sabiá sabia
que o bem-te-vi soube
da mulher do pão
despedaçado
do homem da bolacha
esfarelada

no pátio e no telhado
nada à brisa
nem miolo nem gergelim


II
pardal desconfia
sabiá fica de olho
bem-te-vi demora pousar

farelos lá e cá

quem da passarinhada
cantou o lugar
para as pombas rolas?


II
sabiá olha
as amargosas grileiras

bem-te-vi dá rasante
pardal esculacha
as rolas não arredam

asas pra que te quero!


Ilustração de Joba Tridente - 2012

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Sabedoria Milenar: As Três Verdades do Barqueiro



As Três Verdades do Barqueiro (*)

Esta frase encontra-se explicada no seguinte conto:
Chegou um homem à margem de um rio, e não tendo dinheiro para pagar ao barqueiro, que havia de transportá-lo para a margem oposta, combinou com este que ele o passasse na barca, mediante a relação das três verdades do barqueiro, verdades que este ignorava. A meio da travessia disse-lhe a primeira: o pão duro, duro, duro, mais vale duro que nenhum; passado um pedaço, disse-lhe a segunda, sapato roto, roto, roto, mais vale no pé, quê na mão.
- E a terceira? perguntou o barqueiro, quando o narrador acabou de desembarcar.
- A terceira, respondeu este, é: se a todos passares pelo preço porque me passaste, para que estás aqui?


Ilustração de Joba Tridente - 2012 

(*) Eu conheço esta parábola há muito tempo, mas não a autoria. Pelo estilo acredito que faça parte da cultura Grega ou Indiana. Reencontrei o texto publicado no Almanach de Porto Alegre de 1920.




sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Hermes Fontes: Corvo



Este belíssimo soneto de Hermes Fontes (1888 - 1930), 
publicado em Almanach de Porto Alegre - 1920, continua atual!


Corvo

Em cima, o azul da Esfera interjeições arranca;
embaixo, o Mar, nervoso e insone, se espreguiça;
e a praia, em curva, é toda uma toalha branca,
manchada pela cor sanguínea da carniça.

Vede: um corvo! (Que mau agouro!) Sobre uma anca
pousa: belisca e rasga, abre, revolve, eriça,
retalha o peito, o ventre. A mesa é lauta e franca,
e a Fome é um tribunal: - que oficiais de Justiça!

Desses que, da Miséria alheia, enriquecidos,
vivem do Ouro pelo Ouro, inda os há mais ferozes,
- têm cinco dentes mais, ao em vez dos sentidos

E a civilização não queima esses atrozes
corvos que, a sangue humano de lágrimas nutridos,
querem do alto pompear com penas de albatrozes!?


Hermes Floro Bartolomeu Martins de Araújo Fontes (Buquim, Sergipe, 28 de agosto de 1888 - Rio de Janeiro, a 25 de dezembro de 1930) foi um compositor e poeta simbolista brasileiro. Fundou o jornal Estréia, com Júlio Surkhow e Armando Mota, em 1904, no Rio de Janeiro. Formou-se bacharel em direito em 1911, mas não exerceu a profissão. De 1903 ao final da década de 1930 colaborou em periódicos como os jornais Fluminense, Rua do Ouvidor, Imparcial, Folha do Dia, Correio Paulistano, Diário de Notícias e as revistas Careta, Fon-Fon!, Tribuna, Tagarela, Atlântida. Foi também caricaturista do jornal O Bibliógrafo. No período, trabalhou como funcionário dos Correios e oficial de gabinete do ministro da Viação. Em 1913 publicou seu primeiro livro de poesia, Gênese, e depois, entre outros: Ciclo da Perfeição (1914), Miragem do Deserto (1917), Microcosmo (1919), A Lâmpada Velada (1922) e A Fonte da Mata (1930).  Fonte da biografia: Wikipédia. Outras informações sobre o autor, aquiA ficha completa do Almanach de Porto Alegre - 1920aqui

Ilustração de Joba Tridente. 2013

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Joba Tridente: Existindo e Resistindo



Joba Tridente: Existindo e Resistindo

Recentemente recebi convite para três entrevistas.  Acho que para provar que realmente eu existo e resisto às intempéries culturais.

A primeira foi postada em Abraços Dobrados da genial artista gráfica Tereza Yamashita.

A segunda está registrada em vídeo (2 D e ou em 3D) no Portal Cronópios, do Pipol.

A terceira está disponibilizada, em edição digital (pg. 32/33) e física (nas bancas), da Revista Plurale.

Quem quiser saber um pouco mais sobre mim e ou ver se realmente sou o responsável pelos meus próprios fios, é só clicar nos links.



Abraços Dobrados



Portal Cronópios



Edição Digital da Revista Plurale.



Nota: Yamashita também resgatou o áudio de uma entrevista concedida à Radio UEL, quando participei da maravilhosa Biblioteca VIVA Itinerante, em Londrina:

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Pró-Letramento: Poesia Aleatória - 4


Pró-Letramento: Poesia Aleatória - Reciclando a Palavra - 4

Em outubro e novembro de 2012, participei da Ação Integrada para o Letramento - Alfabetização e Letramento - Pró-Letramento, coordenada por Lúcia Cherem, orientando a Oficina de Poesia Aleatória - Reciclando a Palavra.

As Oficinas de Poesia Aleatória resultam em edições físicas e ou digitais do material produzido. Desta, realizada na Secretaria Municipal de Educação - SME e na Reitoria da UFPR, em Curitiba-PR, destaco, nesta primeira postagem, as criações de quatro oficinandas: Elaine P. S. Oliveira, Iraci Xavier da Costa Teixeira, CeliaGaudeda e Lúcia Cherem (não foi possível fotografar a poesia original de Lúcia).


Lúcia Cherem


Fotos de Joba Tridente

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Pró-Letramento: Poesia Aleatória - 3


Pró-Letramento: Poesia Aleatória - Reciclando a Palavra - 3

Em outubro e novembro de 2012, participei da Ação Integrada para o Letramento - Alfabetização e Letramento - Pró-Letramento, coordenada por Lúcia Cherem, orientando a Oficina de Poesia Aleatória - Reciclando a Palavra.

As Oficinas de Poesia Aleatória resultam em edições físicas e ou digitais do material produzido. Desta, realizada na Secretaria Municipal de Educação - SME e na Reitoria da UFPR, em Curitiba-PR, destaco, nesta primeira postagem, as criações de quatro oficinandas: Elaine P. S.Oliveira, Iraci Xavier da Costa Teixeira, Celia Gaudeda e Lúcia Cherem.


Celia Gaudeda


 Fotos de Joba Tridente

domingo, 13 de janeiro de 2013

Pró-Letramento: Poesia Aleatória - 2


Pró-Letramento: Poesia Aleatória - Reciclando a Palavra - 2

Em outubro e novembro de 2012, participei da Ação Integrada para o Letramento - Alfabetização e Letramento - Pró-Letramento, coordenada por Lúcia Cherem, orientando a Oficina de Poesia Aleatória - Reciclando a Palavra.

As Oficinas de Poesia Aleatória resultam em edições físicas e ou digitais do material produzido. Desta, realizada na Secretaria Municipal de Educação - SME e na Reitoria da UFPR, em Curitiba-PR, destaco, nesta primeira postagem, as criações de quatro oficinandas: Elaine P. S.Oliveira, Iraci Xavier da Costa Teixeira, Celia Gaudeda e Lúcia Cherem.


Iraci Xavier da Costa Teixeira


Fotos de Joba Tridente

sábado, 12 de janeiro de 2013

Pró-Letramento: Poesia Aleatória - 1



Pró-Letramento: Poesia Aleatória - Reciclando a Palavra - 1

Em outubro e novembro de 2012, participei da Ação Integrada para o Letramento - Alfabetização e Letramento - Pró-Letramento, coordenada por Lúcia Cherem, orientei a Oficina de Poesia Aleatória - Reciclando a Palavra.

As Oficinas de Poesia Aleatória resultam em edições físicas e ou digitais do material produzido. Desta, realizada na Secretaria Municipal de Educação - SME e na Reitoria da UFPR, em Curitiba-PR, destaco, nesta primeira postagem, as criações de quatro oficinandas: Elaine P. S. Oliveira, Iraci Xavier da Costa Teixeira, Celia Gaudeda e Lúcia Cherem.


Elaine P. S. Oliveira


Fotos de Joba Tridente




terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Joba Tridente: Histórias de Sabiás - 1

                                                
                                                 o sabiá e a velha

espia o sabiá
o pão despedaçado
a velha espia

pousa o sabiá
desconfiado
a velha afasta

bica o sabiá
o pão e saltita
a velha sorri

em algazarra
pousam pardais
e........................
bem-te-vis


poema e ilustração de Joba Tridente. 2012
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